estratificacao social
Estratificação social
Falar
de sociedade é falar de vários componentes que envolve o meio todo, deste a sua
origem até aos dias actuas, envolvendo o modo de vida, a estrutura dos
indivíduos, da posição ocupados por eles e das mudanças ocorrentes neste mundo
social. Neste ensaio está abordado sobre a hierarquia dos indivíduos na
sociedade e formas organizacionais das classes sociais.
A estratificação social é a
organização hierárquica dos indivíduos dentro de uma sociedade, diferenciando
de raça, prestigio, riqueza, poder e partidos políticos de cada individuo. Como
sustenta Marcon & Lakatos (1990, p.136), “os indivíduos e grupos de uma
sociedade diferenciam-se entre si em decorrência de vários factores, formando
uma hierarquia de posições, estratos ou camadas mais ou menos duradouros”. Portanto,
as sociedades são enormes, razão pela qual os indivíduos têm os seus clubes de
preferência e amizades diferenciadas.
Bitencourt & Bezerra (2011, p.58), entendem
a
estratificação social como um “arranjo hierárquico entre os indivíduos em
divisões de poder e riqueza em uma sociedade. É a diferenciação hierárquica
entre indivíduos e grupos, segundo suas posições (status), estamentos ou
classes”. Podemos dizer que, a estratificação é à desigualdade decorrente de
uma distribuição diferenciada de riquezas, poder, honras e privilégios dentro
de uma sociedade.
Tipos de
estratificação
Marcon & Lakatoos (1990), dizem
que a diferenciação social pode se distinguir em Económica, política e sócio
profissional.
Estratificação económica -
baseada na situação económica e financeira das famílias (riqueza, rendimento).
Segundo Sorokin (1968, cit. em MArcon & Lakatos, 1990), é a “desigualdade
da situação económica ou financeira dos indivíduos da origem a uma divisão em
ricos e pobres” (p.136).
Estratificação Política –
baseada na importância política de cada indivíduo ou grupo. Segundo Sorokin
(1968, cit. em MArcon & Lakatos, 1990), “há a diversidade política em uma
mesma sociedade, decorrente da distribuição não uniforme de poder, de
autoridade (dirigentes e dirigidos) ” (p.136).
Estratificação profissional - resulta
da diferente importância atribuída a cada profissão (prestígio, grau de
educação). Segundo Sorokin (1968, cit. em MArcon & Lakatos, 1990), esta diferenciação
em profissões mais ou menos apreciadas independe do facto de seus titulares
ocuparem tal posição por nomeação ou eleição, por herança
social ou por capacidade pessoal
Mobilidade
social
Sorokin (1968, cit. em MArcon &
Lakatos, 1990), entende-se mobilidade
social a “toda passagem de um individuo ou de um grupo de uma posição
social para outra, dentro de uma constelação de grupos e estratos sociais” (p.
278). A mobilidade consiste na mudança de uma posição social para outro.
Podemos classificar a mobilidade vertical e horizontal.
Mobilidade Social Vertical: ocorre
no sentido ascendente (subida) ou descendente (descida) na hierarquia social.
Mobilidade Social Vertical
Ascendente: (subida) o indivíduo passa a integrar
um grupo economicamente superior ao seu grupo anterior, ou seja, a pessoa tem
mais prestígio, valor, poder em relação a classe social em que pertencia
antigamente, passando assim a pertencer a uma classe que diz respeito ao seu
nível.
Mobilidade Social Vertical
Descendente: (descida) O indivíduo passa a integrar
um grupo economicamente inferior ao seu grupo anterior, isso é, a pessoa sofre
uma queda de prestígio e valor em relação a classe social em que anteriormente
pertencia, havendo um baixo rendimento e perca de algumas oportunidades,
inferiorizando-se com a sua classe antiga.
Mobilidade Social Horizontal: ocorre
quando a mudança de uma posição social a outra se opera dentro da mesma camada
ou estrato social, aqui apenas existe uma mudança de espaço geográfico, de
trabalho ou de escritório mas não ocorrendo necessariamente uma queda ou
subida, o indivíduo contínua a gozar de todas as oportunidades que dizem
respeito a sua classe social, (Bitencourt
& Bezerra 2011).
Formas
de organização social
As sociedades organizadas em três
tipos que são Castas, Estamento e Classes Sociais
Castas
Castas é um sistema tradicional,
hereditário ou social de estratificação,
baseado na classificação de raça, a cultura, a ocupação profissional e a
religião. Segundo Lemos
et al. (2013, p.159), “pela lógica da hereditariedade,
pois a origem de nascimento determinava a profissão e posição que o indivíduo
futuramente viria ocupar na estrutura social, do escravo analfabeto ao
sacerdote letrado”. Entretanto, as sociedades organizadas pelo sistema de
castas estão estruturadas hierarquicamente da seguinte forma: bramanes, os chamados sacerdotes e eruditos; xdtrias, consagrados a categoria de dirigentes
e guerreiros; vaicias, titulares
de mercadores; os sudras, os chamados camponeses, trabalhadores e servos e, por baixo
da escala, encontramos os pdrias ou intocdveis, são indivíduos que não têm nenhuma casta,
(Marcon & Lakatos, 1990). Porém, como as categorias mencionadas a cima, a
posição do indivíduo vária consoante a posição dos seus pais. Se o indivíduo
nasceu na família dos sudras, então a
criança também era considerado como sendo camponês pelo resto da vida.
Segundo Lemos (2012), “as castas
possuem características típico-ideais definidoras, a saber: uso de instrumentos
mágico-religiosos, costumes profundamente arraigados, preponderância da
produção artesanal de bens e valorização da qualidade ao invés do lucro”
(p.117). Acrescenta Lemos
et al. (2013, p.159), “nestes termos, uma posição superior
de casta não significa uma posição superior de classe, donde decorre que o
dinheiro não dilui necessariamente o preconceito”. Os indivíduos das castas são
identificados através das suas crenças e hábitos e custos, existem actividades
praticadas e diferentes em todas as castas, aqui acontece a igualdade de poder,
se você é camponês mesmo ter muito produto ou dinheiro não quer dizer que podes
mudar de status, vais manter como camponês apenas haverá a valorização da
qualidade e não o que recebes pelo trabalho.
Havendo essa distinção das
actividades e categorias profissionais, consideramos que estas sejam sociedades
fechadas, pois a mobilidade social não acontecem significativamente, visto que
as posições sociais são herdadas de gerações em geração, para Marcon &
Lakatos (1990, p.241), “é inexistente mobilidade social no sistema de castas. O
sistema, mesmo em períodos de maior rigidez, apresentou certo deslocamento de
uma casta para outra; esta mobilidade, entretanto, era geralmente grupal e não
individual”. No caso referido pelos autores, podemos entender que a mobilidade
horizontal é a que se manifesta, apenas os indivíduos grupalmente mudam de uma
posição social para outra mas sem deixar de serem considerados como tal. Uma
vez que os indivíduos não são admissível casar com pessoas das outras castas
diferentes do que as suas. Segundo Lemos (2012, p.118) “não há mobilidade
social via casamento ou via qualquer outro recurso, como são hereditárias, as
posições de castas são determinadas pelo nascimento”.
Estamento
Sorokin (1968, cit. em Marcon e
Lakato, 1990, p.246) conceitua estamentos como “um grupo que em relação aos
estamentos que lhe são superiores, e mais ou menos organizado, e, no que diz
respeito aos estamentos inferiores, constitui uma colectividade semi-organizada
ou inorganizada”. Sustenta Lemos (2012, p.118), “a sociedade estamental se
efectiva pelos grupos de status, os quais são determinados por uma estimativa
específica da honra e se estratificam pela usurpação dessa honraria, ditando
regras quanto ao estilo de vida aos pertencentes de um mesmo círculo”.
Portanto, esta forma de organização social diferenciasse com o sistema de
castas, aqui as pessoas são regidos de regras estabelecidas pelos indivíduos
com status superiores da sociedade.
Para Marcon e Lakatos (1990,
p.246), “toda estrutura que se baseia no principia da dominação, da
distribuição desigual de direitos e privilégios traz em si o germe da revolta e
da contestação”. Como asseguram Lemos, et al. (2013, p.158):
Ele pressupõe a expectativa de um
estilo de vida para aqueles que desejam gozar de certa estima social. Esta se
encontra relacionada com dadas qualidades, não necessariamente económicas,
partilhadas por um conjunto de indivíduos, tais como: ocupações e profissões,
origem familiar e étnica, filiação religiosa, posição etária e de género.
Este tipo de sistema de
organização, os indivíduos com status superiores tente suprimir as intensões e
revolta dos indivíduos com status baixo, promovendo assim uma educação
diferenciada, aos que assimilarem as suas crenças, hábitos e costumes
facilmente pode mudar da sua posição social. Como anteriormente falou-se que
este sistema diferencia-se da casta, aqui pode acontecer a mobilidade social.
Marcon & Lakato (1990, p.247 e 248),
enfatizam que:
As pessoas, num sistema de
estamentos, também podem abandonar ou perder a posição que ocupa. Ascensão e queda das dinastias e famílias reinantes significam
que, na maioria das sociedades, os estamentos superiores são
heterogéneos;
muitas vezes, os grupos familiares, de parentesco e raciais
foram substituídos por grupos originários dos escalões inferiores.
Diferentemente das castas em que a
posição de um indivíduo era determinado pela nascença, aqui o indivíduo ocupa
uma posição na sociedade consoante o esforço e honras recebidos ao longo da
vida, acontece uma mobilidade vertical onde as pessoas podem descer ou súber da
posição social, neste sistema, as pessoas podem casar-se com pessoas de status
diferentes.
Classe social
Para Lemos (2012, p.119) “a classe
é definida por um número de pessoas que comungam, em suas oportunidades de
vida, um mesmo componente causal específico”. Acrescenta Lenin (cit. Marcon e
Lakatos 1990, p.250), “as classes são grupos de pessoas onde uma se pode apropriar
do trabalho de outra, devido aos lugares diferentes que ocupam num sistema
definido de economia social”. Ou seja a sociedade moderna encontra-se
estruturada pelo sistema capitalistas, por essa razão os indivíduos encontra
organizados consoante aos meios de produção.
Para tal encontramos duas
estruturas, as que detêm o capital e os meios de produção e os que vende a sua
mão-de-trabalho, os indivíduos que detêm o capital são os ditam as regras e
normas dos outros, Marx denomina de infra-estrutura e supra-estrutura.
“Como o factor que cria a classe é
um interesse económico claro vinculado à existência no mercado, a situação de
classe, nesse sentido, é, em última análise, situação no mercado” (WEBER, 1974,
cit. Lemos 2012, p120). Como esta evidenciado pelos autores, o grande factor
que determina a classe social do indivíduo é o dinheiro, portanto ultimamente
as sociedades podem ser classificados em três dimensões económicas que são:
classe alta, média e baixa. Para lemos et al. (2013), “para distinção de situação/posição
de classe é dada principalmente pelo tipo de propriedade utilizável para lucro
que o indivíduo possui” (p.157).
Este sistema de organização
constitui aberto, ou seja, as pessoas podem mudar da posição social facilmente,
deste que este tenha como aumentar o seu capital, do mesmo jeito que a pessoa
também pode cair financeiramente quando não souber como manter o seu capital.
Lemos (2012, P.121), sustenta que “como a classe é definida, em última
instância, por interesses económicos, só existem lutas de classes de acordo com
acções comunitárias de indivíduos em mesma situação de classe, em busca de melhores
acessos ao mercado”. Diferentemente das castas e estamentos, os indivíduos são
valorizados consoante a educação, honras e principalmente pelo capital que ela
detenha na posição social.
Terminando abordagem importa
reforçar que as sociedades estão estruturadas por hierarquicamente, desde a
existência da humanidade havia essa necessidade de estruturar as pessoas,
baseando-se nas formas produtivas dos mesmos. Mas as sociedades que conhecemos
hoje nem sempre foram organizadas da mesma maneira, passou por varias mudas
sociais, desde as sociedades estruturadas por castas, estamentos e classes
sócias. As primeiras duas nos últimos tempos tendem desaparecer, passando pelo
um processo gradual, ou seja, existem sociedades organizadas por castas na Índia
mas é raro encontrar. Na actualidade a organização mais predominante e das
classes sócias, baseado no capitalismo económico dos indivíduos.
Referências
bibliográficas
Bitencourt,
M. R. & Bezerra,
M. H. V. (2011). Sociologia.
Brasil : e-Tec
Lemos,
C. E., Reses, E. S., Sarandy, F. M.S., Organista, J.H., Santos, M.B., Tomazi,
N. D. & Lea, S. D. R. (2013).
Curso de especialização em ensino de sociologia: nível médio. Brasil: UAB.
Lemos, M. R. (2012). Estratificação
social na teoria de Max Weber: considerações em torno do tema. Revista
iluminart, 9, 113-127.
Marconi, M. A. & Lakatos, E. M.
(1990). Sociologia
geral (6ª.
ed.). São Paulo, Brasil: Atlas.
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