A problemática sobre a questão de aborto
A problemática
sobre a questão de aborto
A questão do aborte é um caso que já vem sendo estudando
pelos especialista por muito tempo até aos nossos dias, mas marca a diferença
nos estudos antigos e actuais, porque os tempo mudam, visto que antigamente o número
de abortos na sociedade eram reduzidos e os abortos eram feitos com a
existência de algumas anomalias na gestação ou mesmo voluntariamente mas não comparado
com as estatísticas actuais, pós as pessoas actualmente, realizam o aborto como
sendo algo normal, até pode se dizer que realizam por prazer, o número de
abortos sobe a cada dia. Isso tem como base, a prostituição, o adultério e a
falta de responsabilidade na vida sexual e tem como consequência as grávidas
indesejadas, recorrendo-se assim o abortamento como sendo um recurso para se
livrar dos problemas que a pessoa tenha-se envolvido.
Segundo Pessini (2007,
p. 311), Etimologicamente a palavra aborto vem do latim “abortus” que significa
ab (privação) e ortus (nascimento), nesse caso pode-se dizer abortus é a
privação do nascimento. Para Dworkin (2003, cit. p.1), “aborto significa matar deliberadamente
um embrião humano em formação”, ou seja, aborto é expulsão prematura do feto,
ou embrião, antes do tempo do parto (Pessini 2007).
No entanto, aborto é uma prática feita pelas mulheres
depois de conceberem, consiste na expulsão do embrião em seu estado de formação
do feto, antes do 2 trimestre de gravidez, ou seja, antes de se forma como um
feto.
Aborto voluntário refere-se a autonomia reprodutiva da
gestante ou do casal, isto é, situações em que se interrompe a gestação porque
a mulher ou o casal não mais deseja a gravidez, seja ela fruto de estupro ou de
uma relação consensual, Borsari (2012). A problemática da questão de aborto
actualmente é considerada como um problema da saúde pública. Segundo a
estatística da OMS (1970, cita. Em silva 1992, p.6), “a metade das gestações é
indesejada e uma a cada nove mulheres recorre ao aborto”.
Segundo Silva (1992, p.6), “os motivos que levam a mulher a desejar o
aborto são o reflexo de sua situação pessoal no sistema de valores e costumes
da sociedade em que vive”. Entre tanto “a maioria dos casos de aborto incidem
factores psicológicos difíceis de avaliar”. Acrescenta Pérez (2006), outras causas que provocam o aborto voluntário são:
“condições financeiras, gravidez indesejada, motivo necessário, obrigação
preciso, sobrevivência, circunstância, não poder sustentar, induzida a fazer,
opção, estupro” (p.44).
Pós, os motivos que levam as mulheres a interromperem a gestação variaram
de acordo com suas condições financeiras e seus relacionamentos familiares e
amorosos. Outro aspecto evidenciado diz respeito ao fato da gestação ser
considerada um obstáculo na busca por trabalho. Aquelas já empregadas tem o
medo de perder o cargo caso o empregador descobrir a gestação e, por tal
motivo, optam em aborto (Santos & Brito, 2003).
Salientar que, um dos grandes problemas sobre a questão
do aborto é da prostituição, de violação, adultérios e incesto, nestes casos a
mulher não quer expor a sua vida a sociedade, ora, porque tem medo de
descriminação social, porque será expulsa de casa ou porque quer preservar o
seu casamento, levando assim a fazer algumas praticas antiéticos que envolve o
aborto. Em caso de conceber por via de estupro ou incesto, por exemplo, a
pessoa recorre ao aborto porque, em sim não estará tranquilo e com a criança
também, assim que a criança nascer a mãe vai repara na criança e recordara do
momento trágico que teve, as imagens ruins vão aparecer e a criança em algum
momento pode ser descriminada pela própria mãe.
A primeira dificuldade que surge no tratamento do aborto é a determinação
do início da vida e, a partir de que o momento, se é que isso ocorre, o feto é
tido como pessoa, a segunda grande discussão bioética sobre o procedimento médico
de aborto é a relação materno-fetal. No entanto é da autonomia da gestante
decidir sobre o paradeiro do novo ser em formação, cujo, ela é responsável na
procriação desse novo feto/embrião, ou seja, o aborto provocado perpassa pelas
atitudes das mulheres, envolvendo as ideias que cada uma tem sobre o tema, sua
maneira de ser e suas vivências, influenciando, desse modo, sua prática (Pérez 2006). Como escreve Dworkin
(2003, P.77):
O feto é dela (da gestante), e é dela mais do que qualquer
outra pessoa porque é, acima de tudo, sua criação e sua responsabilidade; está
vivo porque ela fez com que se tornasse vivo. Ela já fez um intenso
investimento físico e emocional nele, diferente do que qualquer outra pessoa
tenha feito, inclusive o pai; por causa dessas ligações físicas e emocionais, é
tão errado dizer o feto separado dela.
Aqui, as mulheres se sente autónomas nas decisões sobre a sua gravidez, uma
vez que elas acham que é o fruto do seu sacrifício, logo, apenas estas são
livres em tomar decisões sobre o embrião, em algum momento tomam uma decisão
com a consciência ausente nos juízos de valor e que depois de realizarem esse
acto, as mulheres começam a experimentar diversos sentimentos: dor,
arrependimento, culpa, morte, tristeza, e isolamento. Isso acontece depois de
mentalizar que estão em uma sociedade que tem os seus princípios e que ela
acabou violando aqueles princípios.
Para Borsari (2012) “O sentimento de culpa, destaca-se
que a culpabilidade está situada em uma série de angústias: a angústia moral, a
angústia social e angústia de castração. Entendendo-se angústia social como o
medo constante de ser criticada, excluída e punida pela sociedade” (p, 79).
Portanto, uma consciência mais flexível antes de realizar
deste acto levam as mulheres em algum momento a não optarem em praticar o
aborto, cujo elas ficam com o medo da reacção da sociedade sobre o acto, assim
pesando sobre elas o medo de se depararem com o preconceito da sociedade em
relação a sua imagem, ou seja, após a realização do aborto voluntário, as
mulheres ficam com pensamento e sofrimento negativo. Conforme Leitão (1999,
cit. em Pérez 2006), “sentimentos
como culpa, remorso e vergonha são manifestações resultantes de padrões
sociais. A vergonha de falar sobre o aborto nada mais é do que o medo de se
expor e ser humilhada” (p.47).
Em todos os casos de aborto é considerado como algo
antiético na sociedade, dai que as legislações procedem quando há realizações destes
actos, há não que seja, de extrema urgência na salvação da vida da gestante. Como
descre Pérez (2006),”o aborto
provocado é considerado crime, sendo permitido apenas nos casos previstos em
Lei, ou seja, quando se trata de risco de vida para a mulher e de gravidez
resultante de estupro” (p. 50). Assim, “as mulheres, ao optarem pelo aborto
clandestino, aparecem como criminosas que, isoladamente, decidiram cometer um
delito” (Costa, 1995, cita. Em Pérez,
2006, p.50).
Com isso, torna-se difícil para as mulheres partilharem suas experiências e
sentimentos, o que é causa, para elas, de intenso sofrimento psíquico, tendo
por origem a culpa e o medo de serem presas por lei, e de onde o isolamento e o
silêncio serve-lhes como prisão (prisão individual).
Porém, em Moçambique, existe uma legislação que configura como crime o
aborto voluntário, como certificam Reis, Lopes, Franco & Vilela (2015):
Em Julho
de 2011, o governo moçambicano, aprovou uma legislação que considera crime a
interrupção voluntária da gravidez quando ultrapassadas as doze semanas de
gestação. Caso tal ocorra a pena de prisão prevista corresponde entre dois a
oito anos de prisão, podendo chegar aos doze anos de prisão em casos em que
tenha havido indução (p. 18).
De ressaltar que, esta lei privilegia que haja aborto, na medida que a gravidez
seja o resultado do forçamento da vontade e liberdade da mulher, sendo mais específico,
se refere que a mulher concebeu através de estupro, incesto, ou a recomendação
do medico, a má formação do feto, ou em estado grave da gestante, onde pode se
optar em salvar a mãe ou bebe, só nestes casos a pessoa pode realizar o aborto,
mas não na clandestinidade.
De recordar que, em quando o estado considera crime a
pratica do aborto, juntamente a religião também se alia ao estado considerando
o aborto como o pecado mortal, e que ninguém além de Deus tem o poder de tirar
a vida de ninguém. Idealiza Paucar (2003, cita. Em Pérez, 2006), “No cristianismo, a questão do aborto é vista como
um pecado abominável entre os religiosos, sendo considerado um crime grave
contra a vida, e abjurável, uma vez que, ao praticar o aborto, a mulher deverá
renunciar à religião” (p.52), ou
seja, a punição que a igreja católica dá a quem faz o aborto é a excomunhão. Para
Reis, Lopes, Franco & Vilela (2015, p.13):
A posição da Igreja nesta matéria baseia-se em 4
princípios: Deus é o autor da vida; A vida tem início no momento da concepção;
Ninguém tem o direito de tirar a vida humana inocente; O aborto, em qualquer
estágio de desenvolvimento fetal, significa tirar uma vida humana inocente.
As únicas situações em que o aborto é aceite pela Igreja são na medida em
que este aconteça indirectamente devido a outro tratamento médico, como por
exemplo, quimioterapia. A comunidade religiosa moçambicana defende que o aborto
provocado vai contra os Mandamentos de Deus.
Em gesto conclusivo, a maioria das mulheres
que se submeteram a abortos teria preferido outra solução para o problema. O
aborto não é definitivamente uma solução fácil de uma gravidez de problema, mas
um acto agressivo que terá repercussões na vida da mulher e é nesse sentido que
ela é vítima do seu próprio aborto.
A maioria das mulheres pratica o aborto em uma situação
desesperadora de medo ou insegurança. Por mais liberta que a mulher esteja dos
padrões morais e religiosos, por mais consciente da impossibilidade de levar a término
sua gestação, por mais indesejada que tenha sido a gravidez, abortar é uma
decisão que, na grande maioria das vezes, envolve angústia, culpa, vergonha e
medo.
Referências bibliográficas
Borsari, C. M. G. (2013). Aborto provocado: Vivência e Significado. Um estudo fundamentando na fenomenologia. Tese de mestrado,
Universidade se São Paulo, Faculdade de Medicina, São Paulo, Brasil.
Dworkin, R. (2003). Domínio
da Vida: Aborto, Eutanásia e Liberdades Individuais. São Paulo, Brasil: Martins Fontes.
Pérez, b. A. G. (2006). Aborto
provocado: representações sociais de mulheres. Tese de mestrado. Universidade Federal da Bahia,
Escola de Enfermagem, Salvador, Portugal.
Pessini, L. (2007). Problemas
actuais de bioética. (8ª. ed.). São Paulo, Brasil: Loyola.
Reis, D; Lopes, D; Franco, P. e Vilela, R. (2015). Direito, Religião, Direito à Vida e Aborto. Revista da CEDIS Working Papers, 5, 2184-0768.
Santos, D. L. A e
Brito, R. S. (2014), Processo
Decisório do Aborto Provocado: Vivência de Mulheres. Revista de Saúde Colectiva, Rio de Janeiro, 24, 1293-1313.
Silva, R. S. (1992). Aborto
Provocado: Sua Incidência e Características. Tese de doutoramento, Universidade de São Paulo, Faculdade de Saúde
Pública, São Paulo, Brasil.
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