A problemática sobre o objecto de estudo da sociologia
Os
clássicos da sociologia
Toda ciência quanto
o seu surgimento, tem sofrido algumas transformações. A sociologia também não
foge da regra, nos primórdios da humanidade os factos sócias eram explicados
por meio da religião, sendo assim alguns fenómenos não eram possível explicar
por meio dela, é na altura que surgem a sociologia e os seus precursores.
As
contribuições de augusto Comte na sociologia
Marcon e Lakatos e
(2014), Augusto Comte foi um francês que viveu nos anos de (1798 à 1857), foi
um sociólogo que deu origem a uma nova ciência que no inicio denominou de “física
social”, que posteriormente chamou de sociologia. O objectivo deste sociólogo
era de resgatar os valores culturas em que estavam a ser perdidos pela
sociedade através dos conflitos provocados pela Revolução s Industrial e
explicar os problemas que surgiram na época, pela ciência, cuja tal ciência
seria a sociologia.
Oliveira, Pais e
Cabrito, (1987, p.11), Comte é considerado o pai da sociologia, pelo facto de
ser o primeiro a considerar que os factos sócias deveriam ser estudados pelos
métodos científicos, ou seja, “por considerar a possibilidade de utilização de
método de análise das ciências exactas pelas ciências sociais, isto é, ao
dar-lhe um estudo igual as ciências naturas”. Por sua vez, Turner (2000), “a
contribuição de Comte para o desenvolvimento da sociologia não foi tanto na
essência das suas ideias, mas sua defesa pela aceitação da sociologia como uma
área legítima de estudo” (p.5). Para Comte, só é uma ciência completa se esta
observar perfeitamente todos os fenómenos sócias.
Para Giddens
(2013), Na abordagem dos acontecimentos sócias, Comte propôs o método
positivista. Com este método segundo Comte séria possível explicar dos factos
sociais por meio da observação e a experiência.
Segundo Marcon e
Lakactos (2014), nos discursos de Comte em relação aos seus estudos, pode-se
extrair três princípios que são: prioridade do todo sobre as partes, o
progresso dos conhecimentos é característico da sociedade humana e o homem é o
mesmo por toda a parte e em todos os tempos.
Acrescenta Fernandes e Bambo (2009), Comte,
propunha a divisão da sociologia em dois ramos: Sociologia estética e
Sociologia dinâmica. Sociologia estética, estudo das relações entre os
indivíduos e Sociologia dinâmica, estudo das leis da evolução das sociedades por
meio da história da humanidade.
Na óptica de Fernandes e Bambo (2009, p.22),
“a realidade social depende das ideias dominantes que são obtidas, pelas quais
ele existe e pode funcionar através de consenso entre os membros da sociedade”.
Portanto, o indivíduo está sujeito as normas estabelecidas pela sociedade e que
se socializa através das mesmas, pensa e age consoante o colectivo. Comte
estudou as fases de evolução do conhecimento social, o qual chamou de lei dos
três estados.
Oliveira, et all. (1987),
entende que, a lei dos três estados são as fases em que o ser humano atravessa durante
o convívio social. Estado teológico ou fictício, é a fase em que o pensamento
está relacionado com a religião (Deus); o estado metafísico ou abstracto, o
pensamento está ligado com o abstracto; o estado positivista ou científico, é a
fase que os fenómenos são explicados pela razão, com a observação e
experimentação. Fernandes e Bambo (2009), relaciona estes estados com as três
faixas etárias das pessoas, sendo que o estado teológico na infância, o estado
metafísico na juventude e o estado positivista na vida adulta.
Lakatos e Marcon (2014, p.46), contudo, Comte
concluiu que, “a humanidade e a sociedade, em toda parte evolui da mesma
maneira e no mesmo sentido, resultando dai que a humanidade em geral caminha
para um mesmo tipo de sociedade mais avançada”.
A
contribuição de Émile Durkheim na sociologia
Émile Durkheim
viveu nos anos de (1857-1917) foi um sociólogo francês, Durkheim é considerado por
muitos sociólogos como o fundador da sociologia como ciência independente, foi
com Durkheim que foram estabelecidos regras e métodos e objecto próprios de
estudo da sociologia (Oliveira, et all, 1987).
Segundo Giddens
(2013), o pensamento de Durkheim se assemelha os de Comte, os ambos consideram os
factos sociais como merecedores de um estudo como às de ciências naturas, com
metodologias científicas. Para Durkheim, deveria estudar-se um facto social, considerando-o
de “coisa”. A principal preocupação da sociologia para este sociólogo é dos
factos sócias. Sustenta Nova (2004, p. 79), “nem todo acontecimento humano é um
facto social, não basta que um facto ocorra na sociedade para merecer na
quantificação de social. Assim a sociologia não se ocupa de todos os fenómenos
sociais verificáveis na sociedade”. Portanto, só é como facto social se ela
apresentar as seguintes características: generalidade, exterioridade e
coerência.
Marcon e Lakatos (2014, p.50), Durkheim entende
que:
Para explicar um fenómeno social, deve-se procurar a
causa que o produz e a função que desempenha. Procurar as causas nos factos
passados, sociais e não individuais; e a função, através da relação que o facto
mantem com fim social.
Durkheim, em sua
obra a divisão do trabalho, mostra que a sociedade desenvolve-se se os envolventes
trabalharem em conjunto. Nesta obra o sociólogo descre dois princípios que são:
consciência colectiva e solidariedade mecânica e orgânica.
Na primeira diz
respeito ao conjunto das crenças e sentimentos colectivos (comuns), diante dos
membros integrantes de uma sociedade e que pode ser transmitido de geração à
geração. Na sociedade humana, a consciência colectivas subjuga a individual. As
regras estabelecidas numa sociedade, impõe uma nova regra de estabilidade entre
os membros.
Na segunda, diz
respeito a solidariedade mecânica e orgânica, as sociedades são caracterizadas
pela solidariedade mecânica que se origina nas semelhanças entre os membros dos
individuais, a vida individual é condicionado pelas regras sócias (Lakato e
Marcon 2014, p.45).
A
contribuição de Karl Marx na sociologia
Segundo Fernandes e
Bambo (2004, p.22), o sociólogo alemão Karl Marx (1818 à 1883), considera que
“as sociedades evoluem de uma forma multi-liniarmente de maneira diversificada
dependendo das condições locais e factos físicos (técnicos sócias) ”. Portanto,
as sociedades evoluem através da luta de classes sociais, ele se assemelha com as
ideias de Comte ao considerar que a sociologia tinha que ser uma ciência que
estuda-se a sociedade no seu todo.
Para Lakatos e Marcon (2014, p.48), Marx entende
que a sociedade divide-se em “infra-estrutura e supra-estrutura”. A primeira
diz respeito a estrutura económica, envolve as relações de produção; a segunda subdivide-se
em dois: a estrutura jurídica-política, envolvendo as normas e leis a serem
seguidas e a segunda, a estrutura ideológica, formada por conjuntos de ideias
de um grupo social. Dias (2010), para Marx a desigualdade entre os indivíduos
está no modo de produção, onde distinguem-se os exploradores e os explorados.
Para ele, os conflitos sociais servem de motivação para a evolução da
sociedade.
Podemos
destacar nos discursos de Marx o materialismo histórico e dialéctico, “materialismo
faz depender as ideias dominantes de uma sociedade, de sua base material (está
constituído pelas infra-estruturas ou bases económicas) ” (Oliveira, 1987, p.18).
Para ele a sociedade é determinado pelas classes sócias predominantes na
sociedade, pois a sociedade é influenciado pela economia.
Lakatos
e Marcon (2014, p.48) “O homem para satisfazer as suas necessidades actuam
sobre a natureza, criando relações técnicas de produção”. Por sua vez Oliveira,
et all. (1987.p.18) o conjunto dessas relações forma a estrutura económica da
sociedade. Contudo, não é a consciência dos homens que determina a sua
existência, mas ao contrário, a sua existência é que determina a sua consciência.
A contribuição de Max Weber na sociologia
Lakatos
e Marcon (2014, p.54), o sociólogo alemão Max Weber que viveu nos anos de (1864
à 1920), deu a sua contribuição na sociologia na distinção entre o “método
científico de abordar os assuntos sócias e o método de valor-julgamento: a
validade dos valores é o problema da fé, não do conhecimento”, no entanto, a sociologia
“é o estudo das iterações significativas de indivíduos que formam uma teia de
relações sociais, sendo o seu objectivo a compreensão da conduta sócia”. As
sociedades são compostas de indivíduo diferentes com crenças diferentes, pois
aqui o convívio deve ser guiado com respeito e a valorização do próximo. Weber
se dedicou no estudo das acções sociais, ou seja tipos de ideias. Weber define
como acção social o comportamento que um indivíduo tem na sociedade em relação
ao seu próximo.
Para
Fernandes e Bambo (2009, p.23), Weber distinguem na conduta social quatro aspectos:
A conduta tradicional- referentes as antigas tradições; A
conduta emocional- relação habitual ou comportamentos dos outros; A conduta
valorizadora- agindo de acordo com a conduta que os outros esperam de nós e A
conduta racional- objectiva, agimos consoante a lógica das coisas e não o que é
esperado de nós aos outros.
Para Weber, o indivíduo
e racionaliza em diversas esferas da vida social. A sociologia procura
encontrar as regras gerais para todos os membros da sociedade. O avanço da
ciência e do capitalismo permitiu criar um sistema de organização racional e
eficiente das actividades colectivas na sociedade.
Contudo, a evolução das ciências naturais,
deu ao mundo um novo olhar sobre os factos sociais. A evolução de uma sociedade
depende da interacção dos indivíduos e das relações de produção. A sociologia
deve ocupara-se nos estudos unitários e globalizante dos factos sócias.
Referências
bibliográficas
Dias, R. (2010). Sociologia (2ª. Ed.). SP, Brasil: Pearson.
Fernandes, P. &
Bambo, J.A. (2009). Ensino Técnico –
profissional: Formação em Sociologia Geral. Maputo,
Moçambique: Alcance.
Giddens, A. (2013). Sociologia
(9ª.ed.). Lisboa, Portugal: Fundação Calouste Gulbenkian.
Lakatos, E. M.
& Marconi, M. A. (2014). Sociologia
Geral (7ª. ed.). São Paulo, Brasil: Atlas.
Novas, S. (2004). Introdução à sociologia (6ª. Ed.). SP,
Brasil: Atlas S.A.
Oliveira, M. L.,
Pais, M. J. & Cabrito, B. G. (1987). Sociologia
(2ª. Ed.). Lisboa, Portugal: Texto Editora.
Turner, J. H.
(2000). Sociologia: Conceitos e
Aplicações. SP, Brasil: Makron Books.
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